Canguçu

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Município de Canguçu
"Princesa dos Tapes"
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida
Hino
Aniversário 27 de Junho
Fundação 27 de junho de 1857
Gentílico Canguçuense
Lema
Prefeito(a) Cassio Luiz Freitas Mota (PP)
Localização
Localização de Canguçu
31° 23' 42" S 52° 40' 33" O31° 23' 42" S 52° 40' 33" O
Estado Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Pelotas IBGE/2008 [1]
Região metropolitana {{{região_metropolitana}}}
Municípios limítrofes Encruzilhada do Sul, Amaral Ferrador, Cristal, Cerrito, Morro Redondo, Pelotas, São Lourenço e Piratini
Distância até a capital 274 (rodoviária) quilômetros
Características geográficas
Área 3525,068 km²
População 55.679 hab. est. IBGE/2008 [2]
Densidade 14,8 hab./km²
Altitude 386 metros
Clima subtropical
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0.743 PNUD/2000 [3]
PIB R$ 355.712 mil IBGE/2005 [4]
PIB per capita R$ 6.824,00 IBGE/2005 [4]

Canguçu é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Localiza-se a uma latitude 31º23'42" sul e a uma longitude 52º40'32" oeste, estando a uma altitude de 386 metros. Sua população estimada em 2004 era de 52.001 habitantes.

Possui uma área de 3.520,6 km². É um município que conta com as águas do rio Camaquã. É em Canguçu que nascem os arroios do Quilombo e das Caneleiras, que no município vizinho, Pelotas, juntam-se e recebem o nome de Arroio Pelotas.

Canguçu está incrustado na Serra dos Tapes a qual forma junto com a Serra Herval a região fisiográfica gaúcha Serras do Sudeste. Serras divididas pelo rio Camaquã que limita ao norte o município e que se constituem dos solos mais antigos do Estado, como parte do Escudo Rio-Grandense de formação no Período Arqueano.

Índice

História

As Sesmarias

A área urbana de Canguçu, no período de 1780 - 1799, foi denominada, "Rincão do Tamanduá", fazendo parte da área de mais de doze léguas de sesmarias, situado nas Serras de Sudeste, sendo proprietário, o nobre português,Capitão-Mor Dom Paulo Rodrigues Xavier Prates. De 1762 a 1777 houve violentos choques entre espanhóis e portugueses, visando ambos, ao domínio de que hoje constitui o Rio Grande do Sul e República Oriental do Uruguai. Praticamente cessou a instituição de novos povoados, preferindo os que para o sul vinham, estabelecer-se nos núcleos anteriores, e destes, em especial nos mais resguardados de investidas castelhanas.

Após o término dessas lutas, foram concedidas sesmarias para a região onde hoje está constituído o município de Canguçu. Por volta de 1793 os sesmeiros Paulo Rodrigues Xavier de Prates e João Francisco Teixeira de Oliveira, que até então viviam disputando a posse do "Rincão do Tamanduá", visando solucionar o litígio, doaram o sítio para a construção de uma Capela. A 26 de dezembro de 1799, cento e quarenta moradores da região dirigiram ao Governador Sebastião Xavier da Veiga Cabral da Câmara, uma petição requerendo a concessão do rincão para erigir a capela e fundar a povoação. A 30 do mesmo mês e ano era a permissão concedida, com a ressalva de que enquanto não se formasse uma irmandade legalmente constituída, coubesse ao cura e a dois homens bons do lugar, a administração dos ditos terrenos.

Seguindo este critério, seis dias após a petição, ou seja, a 10 de janeiro de 1800, era lançada a pedra fundamental da capela de Nossa Senhora da Conceição, sendo seu primeiro cura o Padre Pedro Rodrigues Tourem.

Ergueram-se as casas quase que imediatamente, e logo florescia uma povoação de tamanho considerável e bem organizada. Tais foram os méritos, que a capela curada era em doze anos levada à categoria de freguesia. Tal se deu por Carta régia do príncipe regente D. João, assinada a 31 de janeiro de 1812, sendo a décima sétima freguesia da capitania. Havia então, no Rio Grande do Sul, apenas quatro municípios, sendo que a freguesia de Canguçu fazia parte de Rio Grande, passando somente em 1830 ao de Piratini, do que se constituiu distrito.

O 22º município gaúcho a ser criado

Canguçu , antes distrito da capital farroupilha Piratini, foi o 22º município gaúcho a ser criado, por desmembramento do municipio de Piratini, do qual foi o distrito de 1831 a 1857 e o de " mais perigo e mais farrapo durante a Revolução Farroupilha ", segundo Francisco Pedro de Abreu, o Moringue. Em ata da sessão de 1857, assinada pelo líder farrapo Vicente Ferrer de Almeida, deu-se a emancipação. Desde 5 anos antes da criação de Canguçu seus filhos já eram batizados na pia batismal construída, em 1851, pelo francês Marcelino Tolosan (Marcellin Tholozan) , 6 anos depois da pacificação farroupilha.

Canguçu teve grande participação e projeção, pois as tropas que integraram a Brigada Liberal de Antônio de Sousa Neto que o apoiaram em 10 de setembro de 1836 no vitorioso combate do Seival e no outro dia na proclamação da República Rio-Grandense, era constituída por canguçuenses na proporção de cerca de ¼.

Ao ser instalada a República Rio-Grandense em Piratini, em 6 de novembro de 1836, quem carregou o pavilhão tricolor pela primeira vez foi o canguçuense Major de Lanceiros Joaquim Teixeira Nunes – o Coronel Gavião, considerado pelo General Tasso Fragoso como a maior lança farrapa e que se tornou célebre no comando do Corpo de Lanceiros Negros Farroupilhas. Personagem abordado com grandeza e simpatia na minisérie "A Casa das Sete Mulheres" pelo ator Douglas Simon.

Canguçu foi palco de dois combates denominados de Canguçu, respectivamente em 25/26 de outubro e 6 de novembro de 1843 e nos locais Pedra das Mentiras e Cerro do Ataque, nos fundos do atual Colégio N. S. Aparecida em ambas as margens do arroio. E ambos combates vitórias imperiais de Chico Pedro.

Foi em Canguçu que o maior cronista farrapo – Manuel Alves da Silva Caldeira, veterano farrapo, escreveu cartas-depoimentos aos historiadores Alfredo Varela, Alfredo Ferreira Rodrigues, Alcides Lima e a Piratinino de Almeida que lhes permitiram resgatar expressivamente a memória do Decênio Heróico.

A vila de Canguçu em momentos difíceis da Revolução abrigou por diversas vezes Bento Gonçalves da Silva até agosto de 1843, conforme se concluiu de ofício do Barão de Caxias ao Ministro da Guerra.

Isto até que Canguçu fosse ocupado pela Ala Esquerda do Exército ao Comando de Caxias, de setembro de 1843 em diante. Comandou a referida Ala Esquerda o célebre guerrilheiro Francisco Pedro Buarque de Abreu , o futuro Barão de Jacuí.

Canguçu foi criado município junto com Passo Fundo e por sugestão do simbolista farrapo Major Bernardo Pires, autor do desenho da Bandeira da República Rio-Grandense, e desde 1891, adotada como a do Rio Grande do Sul.

Significado do nome

A denominação de Canguçu deriva da palavra indígena Caa-guaçu, significando mata grande ou mato grosso, de igual forma que já foi denominada primitivamente a região onde se situa a célebre Avenida Paulista em São Paulo, bem como outros locais, segundo se conclui ou lê-se em descrições mais antigas.

Caa- guaçu era uma alusão à milenar mata grande que encobriu primitivamente a encosta da Serra dos Tapes voltada para a Lagoa dos Patos e que daria o nome a ilha de Canguçu, mais tarde chamada de ilha da Feitoria como parte da estância Feitoria depois de adquirida por esta.

Os primitivos habitantes de Canguçu foram os índios Tapes, tapuias, guaranizados e subordinados aos guaranis e que deram seu nome a região onde Canguçu se assenta. Vestígios deles ainda são encontrados nos traços de habitantes do Posto Branco, Canguçu Velho e Herval.

Referências

  1. 1,0 1,1 Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Estimativas da população para 1º de julho de 2008 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2008). Página visitada em 5 de setembro de 2008.
  3. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  4. 4,0 4,1 Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (19 de dezembro de 2007). Página visitada em 11 de outubro de 2008.

Ligações externas

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