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O Grande Cisma do Ocidente ou simplesmente Grande Cisma foi uma ruptura que ocorreu na Igreja Católica de 1378 a 1417. As motivações deste cisma não foram de ordem teológica mas sim política, resultado do fim do Papado de Avignon. O cisma terminou décadas mais tarde no Concílio de Constança de 1414, com o papado restabelecido em Roma. Gregório XI, sexto de uma seqüência de papas de origem francesa sediados em Avinhão, tomou, em 1377 a iniciativa de regressar a Roma, onde morreu a 27 de Março de 1378. Na altura da eleição do seu sucessor, a população de Roma exigiu a escolha de um italiano e o regresso definitivo do papado à cidade. O conclave de cardeais cedeu às ameaças de revolta e escolheu Bartolomeo Prigano, Arcebispo de Bari, até então um administrador da chancelaria do Papa em Avinhão. Prigano, que tomou o título de Urbano VI era uma figura consensual e prometia a paz no seio da Igreja Católica. No entanto, o novo papa não respondeu às expectativas e depressa se mostrou instável, colérico e pouco dado a diplomacia. Os principais cardeais retiraram-se da capital no verão, supostamente para fugir ao calor, e começaram a conspirar sob a proteção da Rainha Joana I de Nápoles. Treze cardeais declararam nula a eleição de Urbano VI. A 20 de Setembro foi reunido novo conclave e elegeu-se Roberto de Geneva para substituir Urbano VI, com a corte pontificial em Avignon. Roberto tomou o nome de Clemente VII (ficou conhecido como Antipapa Clemente VII) e restabeleceu a sede da Igreja de novo em Avinhão. O cisma foi assim concretizado e resultou, em primeira instância, em acusações recíprocas de heresia e excomunhões mútuas. Ao contrário de Urbano VI, Clemente VII era um diplomata e soube chamar a si o apoio de várias casas reais e personagens da Igreja, nomeadamente França, Aragão, os Ducados da Borgonha e Ducado de Sabóia, o Reino de Nápoles e Escócia. Pelo seu lado, Urbano VI contava com Inglaterra, Sacro Império, norte de Itália e o apoio de Santa Catarina de Siena. O conflito depressa deixou de ser um assunto da Igreja para se tornar num incidente diplomático à escala do continente europeu, como se deixa adivinhar pela lista de apoios a ambas as facções. Por exemplo, na época do cisma vivia-se na Península Ibérica as Guerras fernandinas e a Crise de 1383-1385, ambas opondo os reinos de Castela e Portugal por questões dinásticas. Assim, no tempo de Fernando I de Portugal a sua desastrosa política externa levou-o a apoiar o Papa de Avinhão, que também tinha o apoio de Castela; depois da crise sucessória, como Castela continuasse a defender o papa de Avinhão, não será de estranhar que João I de Portugal, para mostrar bem a sua independência, fosse pelo Papa romano. Os anos passaram sem que fosse encontrada uma pouco procurada solução para o conflito. Bonifácio IX sucedeu a Urbano VI e Benedito XIII a Clemente VII. Mas nem dentro do papado em Avinhão havia consenso e Benedito XIII acabou por ver o seu pontificado ameaçado por Alexandre V, sucedido pelo Antipapa João XXIII. Este cisma dentro do cisma resultou na existência de três papas ao mesmo tempo no princípio do século XV. A instabilidade política resultante desta situação inédita acabou por forçar a resolução do conflito. O Concílio de Constança foi iniciado em 1414 para resolver a questão do cisma do Ocidente e logo se tornou numa arena de luta política. Após acesa discussão, que incluiu interferência e ameaças dos poderes seculares, o Concílio recomendou a abdicação dos três papas e a eleição de um único novo papa de consenso geral. O Papa Gregório XII, de Roma, acedeu e resignou, mas os antipapas de Avinhão foram depostos. Finalmente, a 11 de Novembro de 1417, a assembleia do concílio elegeu Martinho V, pondo fim ao cisma. Os papas do cisma
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