Ser humano

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Desenho de um homem e uma mulher, conforme seriam vistos sem as vestimentas, Ilustração por Linda Salzman Sagan, utilizada emplacas levadas pelas naves Pioneer 10 e 11
Desenho de um homem e uma mulher, conforme seriam vistos sem as vestimentas, Ilustração por Linda Salzman Sagan, utilizada em
placas levadas pelas naves Pioneer 10 e 11
Estado de conservação
Segura
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Género: Homo
Espécie: H. sapiens
Nome binomial
Homo sapiens
Lineu, 1758

O ser humano pode ser definido em termos biológicos, sociais e consciência. Biologicamente, os humanos são classificados como a espécie Homo sapiens (latim para homem sábio, homem racional), um primata bípede pertencente à superfamília Hominoidea juntamente com outros símios: chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos e gibões, além de outras espécies actualmente extintas. O Homo sapiens também pertence à família hominidae, família à qual também pertence o chimpanzé e outros.

Os humanos adoptam uma postura erecta que possibilita a libertação dos membros anteriores para a manipulação de objectos, possuem um cérebro bem desenvolvido que lhes proporciona as capacidades de raciocínio abstracto, linguagem e introspecção.

A mente humana tem vários atributos distintos. É responsável pela complexidade do comportamento humano, especialmente a linguagem. A curiosidade e a observação científica levaram ao aparecimento de uma variedade de explicações para a consciência e a relação entre o corpo e a mente. A Psicologia (especialmente a Neuropsicologia) tenta estudar estas manifestações e relações sob o ponto de vista científico. As perspectivas religiosas geralmente enfatizam a existência de uma alma como sendo a essência do ser, normalmente associada à crença e adoração de Deus, deuses ou espíritos. A Filosofia tenta sondar as profundezas de cada uma destas perspectivas. A Arte, a Música e a Literatura são muitas vezes usadas como forma de expressão deste conceitos e sentimentos.

O ser humano é uma espécie eminentemente social. Criam estruturas sociais complexas, compostas de muitos grupos cooperantes e competidores. Estas estruturas variam desde as nações até ao nível da família, desde a comunidade até ao eu. A tentativa de compreender e manipular o mundo à sua volta, possibilitou aos humanos desenvolverem tecnologia e ciência como um projecto comum e não individual. Estas instituições levaram ao aparecimento de artefactos partilhados, crenças, mitos, rituais, valores e normas sociais que, no conjunto, formam uma cultura de grupo.

Índice

Terminologia

Mulher inuit (1907)

No geral, a palavra pessoas é utilizada quando se quer referir a um grupo específico de indivíduos. No entanto, quando se quer referir a um grupo que possui semelhança étnica, cultural ou de nacionalidade, utiliza-se o termo povo (exemplos: povo índio, povo falante de português).

O macho juvenil desta espécie é denominado rapaz, (no Brasil, também podendo ser usado o termo "moço"). À fêmea juvenil dá-se o nome de rapariga, (no Brasil, esse termo em geral pode ser considerado pejorativo, sendo mais usual o termo "moça"). O termo Homem, com inicial maiúscula, é geralmente utilizado para referir o conjunto de todos os seres humanos (em contraste com homem, o macho da espécie), tal como o termo humanidade, raça humana ou gênero humano. O termo humano é utilizado como sinónimo de ser humano. Como adjectivo, o termo humano, tem significância neutra, mas poderá ser utilizado para enfatizar os aspectos positivos da natureza humana e ser sinónimo de benevolência (em contraposição com o termo inumano ou desumano).

Por vezes, em Filosofia, é mantida uma distinção entre as noções de ser humano (ou Homem) e de pessoa. O primeiro refere-se à espécie biológica enquanto que o segundo refere-se a um agente racional (ver, por exemplo, a obra de John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano II 27, e a obra de Immanuel Kant, Introdução à Metafísica da Moral). Segundo a perspectiva de John Locke, a noção de pessoa passa a ser a de uma coleção de acções e operações mentais. O termo pessoa poderá assim ser utilizado para referir animais para além do Homem, para referir seres míticos, uma inteligência artificial ou um ser extraterrestre. Uma importante questão em Teologia e na Filosofia da religião concerne em saber se Deus é uma pessoa.

Em latim, humanus é a forma adjectival do nome homo, traduzido como Homem (para incluir machos e fêmeas).

Biologia

Anatomia e Fisiologia

Ver artigo principal: Corpo humano
Ilustração antiga representando um esqueleto humano

O ser humano apresenta locomoção bípede completa. Este facto proporciona a utilização dos membros anteriores para a manipulação de objectos, por meio da oponibilidade dos polegares.

Os humanos variam substancialmente em relação a altura e peso médio, conforme a localização e aspectos históricos. Apesar de o peso ser largamente determinado pelos genes, é também, muito influenciado pela dieta e exercício.

Em comparação com a pele de outros primatas, a pele humana possui menor pelagem. A cor do pêlo e da pele é determinada pela presença de pigmentos, chamados melaninas. A maioria dos autores acredita que o escurecimento da pele foi uma adaptação que evoluiu como uma defesa contra a radiação solar ultravioleta (UV); a melanina é uma substância eficaz contra esta radiação. A cor da pele, em humanos actuais, pode variar desde o castanho escuro até ao rosa pálido. A distribuição geográfica da cor da pele correlaciona com os níveis ambientais de raios UV. A cor do pêlo e da pele humana é controlada, em parte, pelo gene MC1R. Por exemplo, o cabelo ruivo e pele pálida de alguns europeus é o resultado de mutações no gene MC1R. A pele humana tem a capacidade de escurecer (bronzeamento) em resposta à exposição a raios UV. A variação na capacidade de bronzeamento também é parcialmente controlado pelo gene MC1R.

Anatomia humana, Museu Condé, Chantilly

Porque os humanos são bípedes, a região pélvica e a coluna vertebral tendem a sofrer desgaste, criando dificuldades locomotoras em indivíduos mais idosos.

A necessidade individual de uma regular administração de comida e bebida é proeminentemente reflectida na cultura humana. A falha na obtenção de comida leva ao estado de fome e eventualmente ao de inanição, enquanto que a falha na obtenção de bebida leva à desidratação e ao estado de sede. Tanto a inanição como a desidratação poderão levar à morte, se não forem combatidas: o ser humano pode sobreviver para além de dois meses sem comida, mas somente cerca de três dias sem bebida (se não tiver acesso a alimento que hidrate).

O tempo médio de sono requerido é de entre sete e oito horas por dia, para um adulto, e de nove a dez horas por dia numa criança. Indivíduos mais idosos usualmente têm sonos de seis a sete horas e os recem-nascidos podem precisar de 18 a 20 horas diárias de sono. É comum, nas sociedades modernas, as pessoas dormirem menos que o necessário. (Ver privação do sono.)

O corpo humano está sujeito a doenças e ao processo de envelhecimento. A Medicina é a ciência que explora métodos para preservar a saúde humana.

Surgimento da espécie

Mapa das primeiras migrações humanas, de acordo com análises efectuadas ao DNA mitocondrial (unidades: milénios até ao presente).
A perspectiva deste planisfério centra-se no pólo norte, para facilitar a compreensão das rotas das migrações.

De acordo com as teorias mais comumente aceites entre os antropólogos actuais, o Homo sapiens teve origem nas savanas de África entre 130.000 a 200.000 anos atrás[1], descendendo do Homo erectus, e terá colonizado a Eurásia e a Oceania há 40.000, colonizando as Américas apenas há 10.000 anos [2].

Tendo em conta que existe vida na Terra há mais de 3,5 bilhões (109) de anos, pode dizer-se que esta espécie é muito recente. Para uma avaliação mais clara, poderia fazer-se o seguinte paralelo: Se existisse vida há 10 dias, o homem teria aparecido no último minuto na África, há um segundo na Eurásia e Oceania, e apenas há 1/4 de segundo nas Américas.

O Homo sapiens ocupou o lugar do Homo neanderthalensis, do Homo floresiensis e de outras espécies descendentes do Homo erectus (que colonizou a Eurasia há já 2 milhões de anos) devido à sua superior capacidade de reprodução e maior competitividade pelos recursos naturais.

A origem do Homo sapiens , como todas as espécies animais, encontra-se hoje em dia explicada pela teoria da evolução das espécies, baseada nos trabalhos de Charles Darwin e amplamente suportada por fatos científicos.

Num contexto religioso, a origem do Homem é explicada com frequência com alguma forma de intervenção divina, baseada unicamente na fé dos crentes. De entre estas correntes, destacam-se, no Mundo Ocidental, o Criacionismo, em sua forma mais tradicional, e o Desenho Inteligente.

Referências

  1. Human Ancestors Hall: Homo Sapiens - URL consultado a 1 de fevereiro de 2007
  2. Templeton, Alan (2002). "Out of Africa again and again" Nature 416: 45 - 51.
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Ver também

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